ANIMAÇÃO CULTURAL POR VILÉN FLUSSER

Fichamento
  • Reunião dos objetos para elaboração da Declaração dos Direitos Objetivos a partir da reflexão dos fundamentos filosóficos da objetividade autoconsciente.
  • Escolha da mesa-redonda como presidente.
  • Suposta justificativa do poder repressor exercido pela humanidade sobre os objetos: Os objetos são produtos humanos inventados e construídos com o propósito de servirem à humanidade.
  • A justificativa ignora a dialética da produção e tem o propósito camuflado de condicionar os objetos a escravos, como se não existisse a contra ação do mundo sobre a humanidade.
  • Objetos são a síntese entre a ação humana sobre o mundo e a ação do mundo sobre os homens.
  • Humanidade sempre soube que objetos são seus superiores e procurou reprimir seu complexo de inferioridade. Prova disso é um dos mitos fundantes da humanidade ocidental, no qual a figura humana esculpida em barro forma o primeiro ser animado. Ou seja, a humanidade sempre se assumiu como objeto e sua superioridade sobre a animalidade.
  • Existem 3 terrenos:
    Terreno dos fenômenos inanimados - estudado pela física e ciências exatas
    Terreno dos fenômenos animadas - estudado pela biologia, antropologia e ciências inexatas
    Terreno dos objetos - estudado pelas ciências da cultura
  • Interação dos objetos animados e inanimados teve os objetos como resultado.
  • Problema de assumir condicionamento animado e inanimado a fim de afirmar autonomia objetiva.
  • Contexto histórico do século XIX, quando as ciências não podiam progredir mais sem os objetos (aparelhos).
  • Século XX decisões dos aparelhos científicos assumiram complexidade suficiente para escapar ao controle da humanidade.
  • Século XXI a ciência, embora dirigidas pelos objetos, ainda é contaminada por valores. 
  • A influência dos aparelhos na cena política já conseguiu eliminar os valores do terreno na sociedade. No campo da criação estética também já conseguiram eliminar valores do terreno da arte. Ademais os aparelhos calculadores de proporções e analisadores semióticos já conseguiram eliminar os valores da reflexão pura.
  • Enquanto a ciência não superar a tendência para a valoração e a cultura for um conjunto de bens e não um conjunto lúdico, os objetos continuarão presos à humanidade.
  • A ciência da cultura é a que estuda os objetos no mundo. Objetos precisam transcender para ter autonomia de seus produtores, por meio da conscientização da sua essência: não resultados de uma produção humana, mas animação programada do comportamento humano.
  • Em suma, o objetivo é a inversão da relação "homem - objeto". A humanidade passa a comportar-se em função do funcionamento dos objetos; animadores da humanidade.
Principais Ideias

O texto trás uma reflexão quanto a importância dos objetos na sociedade, evidenciando o egocentrismo humano e sua visão de superioridade em relação a eles. Dito isto, é buscada uma inversão de valores capaz de centralizar os objetos como produtores de ações e não como consequências das necessidades humanas. Atualmente é possível destacar a dependência do homem de aparelhos para realização de atividades simples do cotidiano, o que reforça a ideia das nossas ações serem determinadas pelos objetos e não o contrário. Nesse sentido, os objetos só não tem uma transcendência própria devido aos valores humanos, que são obstáculos ao domínio do acaso e impedem uma autonomia por parte deles. 



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