TEORIA DO NÃO OBJETO - Ferreira Gullar

 
  • 0 nao-objeto nao a urn antiobjeto
MORTE DA PINTURA
  • Quando os pintores impressionistas procuraram apreender o objeto imerso na luminosidade natural, a pintura figurativa comegou a morrer.
  • fidelidade ao mundo natural transferira-se da objetivagao para a impresaão
  • A abstragao nao tinha nascido ainda,
  • Corn o cubismo, o objeto a brutalmente arrancado de sua condicao natural,
  • Enfim, é a pintura que jaz all desar ticulada, a procura de uma nova estrutura, de urn novo modo de ser, de uma nova significagao.
  • Ao pintor cabe organiza-la mas tambem dar -Ihe uma transcendencia que a subtraia a obscuridade do objeto material -luta conta o objeto 
  • arte não figurativa: Mondrian e Malevitch.
OBRA E OBJETO
  • A tela ern branco, para o pintor tradiocional, era o mero suporte material 
  • Esse espaço sugerido é rodeado por uma moldura cuja funcao fundamental era inseri-lo no mundo - meio termo entre ficção e realidade.
  • Por isso, quando a pintura abandona radicalmente a representacao como no caso de Mondrian, Malevitch e seus seguidores a moldura perde o sentido.
Nao se trata mais de erguer urn espaco
metafOrico num cantinho bem protegido do
mundo, e sim de realizar a obra no espaco
real mesmo e de emprestar a esse espaco,
pela aparicao da obra objeto especial
uma significacao e uma transcendencia.
  • obra de arte e os objetos parecem confundir-se.
  • Blague de Marcel Duchamp - mictorio - revelar objeto deslocando de sua função
  • 0 mal, entretanto, esta em que tais obras so con- seguem o efeito co primeiro contato, e nao logram permanecer na condigao transcen- dente de nao-objeto. Sao objetos curiosos, estranhos, extravagantes mas objetos.
  • A mesma luta contra o objeto verifica-se na escultura moderna a partir do cubismo
  • escultura não figurativa é um objeto
  • base que equivale a escultura do quadro é eliminada
  • pintura e escultura liberada da sua intenção representativa
  • enquanto a pintura, liberada de sua intengao representativa, tende a abandonar a superficie para se reali- zar no espago, aproximando-se da escultura, esta, liberta da figura, da base e da massa, ja bem pouca afinidade mantem corn o que tradicionalmente se denominou escultura.
  • afastam de suas origens
FORMULAÇÃO PRIMEIRA
  • Liberar da mordura e da base não é so natureza tecnica ou fisica  - trata-se de urn esforco do artista para libertar-se do quadro convencional da culture,
  • Obra livre de qualquer significado que não seja seu aparecimento
  • Todas as obas de arte tende a ser um não-objeto e elafora dos limites convencionais da arte, usam deslimite como intenção do seu aparecimento
DIALOGO SOBRE NÃO OBJETO
  • Obejeto é coisa natural ligado a funções cotidianas, ja o não objeto não se prende nas opções de uso e sentido e não se insere na condição do util.
  • objeto torna-
  • se uma presence absurda, opaca, em que a percepcao esbarra; sem nome,  o objeto a impenetravel, inabordavel, clara e insuportavelmente exterior ao sujeito.
  • so pelas conotacoes que o nome e o use estabelecem entre o objeto e o mundo do sujeito, pode o objeto ser apreendido e assimilado pelo sujeito.
  • O nao-objeto, pelo contrario, é uno, integro, franco, sua relaçao com o sujeuito dispensa intermediario.
  • Nao-objeto é urn objeto total, integral?
  • Enquanto o sujeito existe para si, o objeto, a coisa, existe em si.
Ao representar aqueles objetos cotidianos,
o artista caminha do nivel conceitual em
que eles usualmente se encontram para
o nivel estetico, onde uma nova signi-
ficacao, nao conceitual, emerge deles: a significagao inseparavel a forma.
  • Um objeto representado é um quase-objeto: a como se fosse urn objeto: ele se desprende da condicao de objeto, mas nao atinge a de nao-objeto: é, corn referencia ao objeto real, urn objeto ficticio.
  • 0 nao-objeto nao é uma repre-sentagao mas uma presentagao.
  • Quase-objeto é a representacao de urn objeto real, enquanto o nao-objeto nao representa nada, mas apenas se apresenta.
  • A pintura nao-figurativa, embora realize urn grau maior de abstracao, ainda se man- tern presa ao problema da representacao do objeto.
  • O não objeto transcende o espaco, e nao por iludi-lo (como faz o objeto), ales por nele se inserir radicalmente.
Nascendo dire-
tamente no e do espago, o nao-objeto é
ao mesmo tempo urn trabalhar e urn
refundar desse espago: o renascer per-
manente da forma e do espago. Essa
transformacao especial é a propria con-
dicao do nascimento do nao-objeto.
  • Não basta so tirar a moldura e a base pra criar um não objeto
  • Nao se trata da presenca ou ausencia material da moldura ou da base, trata-se de criar sem o apoio desses elementos.
  • Mesmo com formas abstratas com uma mordura e uma base 
  • 0 nao-objeto verbal é o antidicio nario: o lugar onde a palavra isolada Irradia toda a sua carga.
  • nao objeto deve ter movimento?
  • 0 nao-objeto reclama o espectador, nao como testemunha passive de sua existencia, mas como a condicao mesma de seu tazer-se. Sem ele, a obra existe apenas em potencia, a espera do gesto humano que a atualize.

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