DESIGN: OBSTÁCULO PARA REMOÇÃO DE OBSTÁCULOS?
FICHAMENTO
- Objeto é algo que está no meio do caminho
- “Objeto de uso” é um objeto de que se necessita e que se utiliza para afastar outros objetos do caminho
- Objeto que serve para remover obstáculos = dialética interna da cultura
- Topo com obstáculos, um mundo problemático no meu caminho, transformo os objetos de uso em cultura e venço esses obstáculos. Depois esses mesmos objetos viram obstáculos
- Duplamente bloqueado por eles: preciso deles para prosseguir e sempre estão no meio do caminho
- Quanto mais prossigo mais a cultura se torna objetiva, problemática
- São projetos, designs de que necessito para progredir e que, ao mesmo tempo, obstruem meu progresso
- Para sair do dilema eu mesmo desenvolvo os projetos e lanço objetos de uso no caminho de outras pessoas para elas progredirem e, ao mesmo tempo, minimizar as obstruções em seus caminhos
- Objetos de uso são mediações entre mim e outros homens, não só objetos. Não são apenas problemáticos, mas também dialógicos
- Como fazer objetos de modo que os aspectos comunicativos sejam mais enfatizados que o aspecto objetivo?
- No processo de criação dos objetos é presente a questão da responsabilidade e por isso se torna possível falar da liberdade.
- Responsabilidade é a decisão de responder por outros homens.
- Quanto mais irresponsavelmente crio um objeto, mais ele vai causar impedimento aos meus sucessores e, consequentemente, encolherá o espaço da liberdade na cultura.
- A situação atual da cultura revela o seguinte: ela está caracterizada por objetos de uso cujos designs foram criados irresponsavelmente, com a atenção voltada apenas para o objeto.
- Isso é praticamente inevitável na situação atual desde a Renascença. Desde aquela época, os criadores são aqueles que projetam formas sobre os objetos com a finalidade de produzir objetos de uso cada vez mais úteis. Os objetos resistem a tais projetos e tendem a penetrar mais e mais profundamente nos mundos objetivo, objetal e problemático.
- Isso viabiliza o progresso técnico e científico, de tal modo que os criadores esquecem o progresso em direção aos outros homens.
- O progresso científico e técnico é tão atrativo que qualquer ato criativo ou design concebido com responsabilidade é visto como retrocesso, algo retrógrado.
- A situação em que a cultura se encontra caracteriza-se pelo culto aos objetos de uso. No entanto, existem indícios de que a atitude do criador (do designer) está começando a mudar. E por isso os projetos são idealizados de modo cada vez menos ligados ao mundo objetivo e cada vez mais “profético”.
- Começamos de fato a separar o conceito objeto do conceito de matéria, e a projetar objetos de uso imateriais, como programas de computador e redes de comunicação.
- O surgimento de uma “cultura imaterial” não é necessariamente menos obstrutiva: pelo contrário, pode ser que ela restrinja ainda mais a liberdade do que a cultura material, mas o olhar do designer, ao desenvolver esses designs imateriais, dirige-se espontaneamente para os outros homens.
- Os objetos de uso, afinal de contas, são obstáculos de que necessito para poder progredir e, quanto mais preciso deles, mais os consumo.
- Juntamente com os utilitários consumidos, o projeto que os lançou no caminho é extinto. Eles perderam a forma sobre eles projetada; são deformados e jogados fora. Estamos começando a nos tornar cada vez mais conscientes do caráter efêmero de todas as formas, pois os dejetos começam a obstruir nosso caminho tanto quanto os utilitários.
- A questão da responsabilidade e da liberdade surge não apenas quando se projetam os objetos, mais também quando eles são jogados fora.
- Pode ser que essa tomada de consciência da efemeridade de toda criação contribua para que futuramente se crie de maneira mais responsável, o que resultaria numa cultura em que os objetos de uso significariam cada vez menos obstáculos e cada vez mais veículos de comunicação entre os homens.
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