PAVILHÃO PARQUE MUNICIPAL - PROCESSO

 Partindo do Não Objeto

O não-objeto, formulado por Ferreira Gullar, designa uma arte que ultrapassa o mero artefato material. Trata-se de uma presença viva, que só se completa no encontro entre obra e observador, ativando corpo, percepção e espaço. Em oposição à arte concreta, pautada pela precisão e pelo racionalismo, o não-objeto reivindica uma experiência fenomenológica: algo que acontece no tempo, ocupa o espaço e produz afeto.


"O não-objeto não é adorno, 
mas experiência viva, arte 
que se faz no encontro e no 
ato de perceber"

Ele não representa nem imita; tampouco serve a uma função prática. Sua essência está na experiência sensorial que provoca. A obra se realiza plenamente apenas quando o público a percorre, manipula ou habita, tornando-se coautor do sentido. Essa concepção rompe com categorias tradicionais e propõe formas abertas, participativas e indeterminadas. O espaço, a luz e o movimento do corpo são elementos constitutivos da obra, permitindo múltiplas percepções.

Sobre o Pavilhão 

O Pavilhão é formado por barras metálicas e tecidos, retomando os mesmos materiais empregados no não-objeto anteriormente desenvolvido.Sua estrutura busca prolongar e reinterpretar a armação já existente no Parque Municipal, criando uma continuidade poética entre o que já estava ali e o que se acrescenta agora.
Pensado para acolher o corpo e convidar ao movimento, o Pavilhão permite múltiplas formas de interação: pode ser vivido como balanço, atravessado como uma cortina de panos ou simplesmente explorado como um espaço de respiro e descoberta. No topo, o intrecciato de tecidos conforma uma área parcialmente coberta, filtrando a luz e criando uma atmosfera mais íntima.

Partindo desses princípios, o projeto do pavilhão foi criado, desenvolvendo: planta, implantação, corte longitudinal e transversal, perspectivas internas e externas e diagramação.


  PROJETO NO SKETCHUP
  DIAGRAMA AXONOMÉTRICO

O diagrama evidencia uma composição em que circulação, som, natureza e vazio formam um sistema integrado, capaz de produzir uma experiência espacial dinâmica, permeável e sensorial.

As áreas de circulação, destacadas em azul, formam um sistema contínuo que conecta todos os núcleos do conjunto, orientando o fluxo dos usuários e estruturando a relação entre os diferentes volumes. Esses percursos se distribuem radialmente a partir de um ponto central, criando transições suaves entre ambientes internos e externos.

As ondas sonoras, representadas em laranja, atravessam o espaço de maneira difusa, revelando zonas de maior incidência acústica. Elas se propagam sobretudo ao longo dos corredores e entre os blocos circulares, indicando pontos de interação sonora e possíveis áreas de maior vitalidade ou intensidade de uso. A leitura do diagrama sugere que esses vetores sonoros dialogam com o desenho da circulação, reforçando o dinamismo do conjunto.

A vegetação, marcada em verde, atua como elemento suavizador e regulador ambiental. Disposta principalmente nas bordas e entre os eixos de acesso, ela cria zonas de amortecimento visual e sonoro, além de oferecer áreas de permanência mais agradáveis. Esses trechos verdes funcionam como respiros paisagísticos e contribuem para equilibrar a densidade dos percursos.

Os espaços vazios, registrados em rosa, não são áreas inativas; ao contrário, configuram interstícios fundamentais para a articulação do projeto. Eles criam pausas, aberturas e zonas de transição que permitem circulação fluida, possibilitam múltiplas apropriações e reforçam a legibilidade do conjunto. Esses vazios qualificam o ambiente, garantindo que o cenário não seja excessivamente compacto.

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